Resenha do livro A Moda e seus desafios: 50 questões fundamentais, de Frédéric Monneyron

Bem galera segue ai uma resenha do Graduando em Design de  Moda pela UniRitter Daniel Dall’Igna Ecker que sempre esta ligado no nosso Blog.

 A Moda e seus desafios: 50 questões fundamentais, de Frédéric Monneyron

 

 Daniel Dall’Igna Ecker*

     *Aluno de graduação do Curso de Design de Moda do UniRitter

Email: daniel.ecker@hotmail.com

 

            O vestuário faz parte das culturas e se mantêm há séculos presente no cotidiano das pessoas. Porém, o vestuário, em específico a moda, tem sido colocada em segundo plano nas pesquisas acadêmicas. Sendo a roupa algo que distingue as pessoas dos outros seres vivos, e do ser humano em si, a moda deveria ser um importante objeto de reflexão para a compreensão do funcionamento social. Diversas obras já surgiram descrevendo a história da moda, mas poucas analisam sua complexidade e seu impacto nas entrelinhas sociais. Muitos estudos se tornaram repetitivos e de pouca contribuição para a comunidade científica.

            Estas e outras questões aparecem no livro de Fréderic Monneyron o qual analisa a moda através de 50 questões centrais de seus estudos. A obra é permeada pela sociologia e pela filosofia passando de autores como Georg Simmel, Pierre Bourdieu até Gabriel Tarde e Roland Barthes. A análise do autor é feita através de três eixos principais: a moda e sua história, a moda e suas interpretações e, por final, a moda e seu imaginário.

            Os estudos na área do vestuário e da moda são importantes ferramentas para a compreensão do comportamento humano. Através deste viés, diversas obras sobre moda começam a surgir, principalmente na França, no final do século XX. Voltadas, inicialmente, à descrição histórica da moda e seu processo de desenvolvimento, estes escritos contribuíram significativamente para o entendimento do papel do vestuário nos fatos sociais e processos históricos. Assim, a partir da análise do vestuário, é possível perceber a implicação da roupa no funcionamento das sociedades, na construção de identidades individuais e sociais e no impacto que esta indústria tem na economia dos países.

Fazendo leituras de épocas passadas, Fréderic retorna a Idade Média, época na qual a roupa era utilizada para distinguir as pessoas de forma hierárquica. Assim, naquele tempo, quem não possuía dinheiro poderia ser identificado a partir de sua vestimenta, e vice-versa.  Em relação às profissões, a roupa sempre possuiu um papel importante na identificação do cargo e atividade que a pessoa exerce (através do uso de uniformes). Nas características culturais a vestimenta denuncia o modo de vida dos povos: em alguns países, existem determinadas cores e tecidos que são proibidos, por possuírem significados negativos para a cultura local.

            Atualmente, as mulheres exploram de maneira significativa o adorno, a maquiagem, mas, durante vários séculos, o requinte, as ornamentações (uso excessivo de acessórios), maquiagens e brilhos eram de uso exclusivo do sexo masculino. Estas desigualdades na liberdade de se vestir, durante muitos séculos, foram motivo de questionamentos e revoltas de determinados grupos. Em 1904, por exemplo, costureiros promovem uma revolução na roupa feminina elimininando tudo que pudesse “travar” fisicamente a mulher: elimina-se os espartilhos, anáguas e crinolinas. 

O contexto do vestuário no cotidiano do ser humano, nos faz refletir: Qual o motivo pelo qual algumas indumentárias sejam direcionadas para determinadas pessoas? O que faz as pessoas se submeterem às regras imaginárias das vestimentas? Anteriormente concebido como algo inerente ao ser humano, o vestuário tornou-se alvo de contestações sociais e, consequentemente, passou a definir comportamentos específicos. O mesmo é usado em detrimento de cada situação, “não nos vestimos da mesma maneira para ir ao cinema, a um jantar, a um concerto ou a um jogo de tênis, não nos comportamos também da mesma maneira conforme as roupas que usamos” (MONNEYRON, 2007, p.11).

            Em relação a temporalidade, por que algumas roupas surgem e desaparecem rapidamente? O que faz com que outras vestimentas tornem-se presentes no cotidiano sendo usadas sem distinção de público-alvo? A calça jeans, por exemplo, inicialmente usada como uniforme para os operários, a partir dos anos 70 teve suas vendas triplicadas e passou a ser uma vestimenta usada por diferentes grupos, de diferentes idades e sexo.       

            A importância da moda cresce neste século e com isso multiplicam-se os centros acadêmicos que já oferecem formação específica nesta área. Nestes espaços, os profissionais de moda dedicam seu tempo preocupando-se em trabalhar com tendências, delimitando, identificando e prevendo quais roupas estarão nas lojas nos próximos meses. Estariam os cursos de moda formando profissionais que reproduzem tradições, fortalecem tendências e delimitam padrões de uso do que é “certo ou errado”? Estariam estes profissionais intensificando as desigualdades? Ainda permanece a cultura de “roupas adequadas para contextos específicos”?

Cada questionamento do autor tem como ponto de partida uma pergunta relacionada ao mundo da moda e assim diversos temas são abordados: A moda é um fenômeno ocidental? A moda é um lazer? Uma imitação? Qual a função das revistas e da fotografia de moda? A moda reestrutura a identidade sexual? Por que a alta -costura? A moda prescipita as mudanças sociais? Que sentido dar a roupa inspirada em outras épocas?

Diversas perguntas que tendem a levar o leitor a novos questionamentos tornando-se necessário a moda ocupar seu lugar e revelar sua importância na esfera social. Esta é uma das leituras que Fredéric se propõe a aprofundar.

Referências:

 

MONNEYRON, Frédéric Monneyron. A moda e seus desafios: 50 questões fundamentais. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2007.

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